A estratégia para desenvolver a aqüicultura e pesca define a orientação para alcançar a médio e longo prazos, mediante a reunião dos recursos disponíveis (humanos, materiais e financeiros), os objetivos propostos pelos diferentes atores envolvidos nas atividades aqüícolas e pesqueiras.
Sendo o cultivo das águas um setor emergente, em que a demanda de produtos do pescado supera em muito a oferta, a única maneira de conquistar e manter-se com êxito no mercado é desenvolver vantagens competitivas para os criadores de peixes e para os pescadores profissionais artesanais, com valor agregado aos mesmos e aos clientes consumidores.
Nesse sentido, para a consolidação dos objetivos propostos e o desenvolvimento de um modelo sustentável de aqüicultura e pesca na Região da Bacia do Rio Uruguai, definiu-se um conjunto de estratégias básicas, contemplando as duas realidades de modo específico, tendo como base a cadeia produtiva do peixe.
As estratégias de desenvolvimento da aqüicultura contemplam a cadeia produtiva do peixe em cinco eixos fundamentais, que são:
O potencial hídrico da Região Macronorte do Rio Grande do Sul para o cultivo de peixes em açudes, em tanques-redes nos lagos das usinas hidrelétricas e no manejo adequado da pesca extrativista no Rio Uruguai e seus afluentes, somados às condições de solos e climas, permitem aumentar a produção de uma gama considerável de espécies nativas e exóticas, com o propósito de conquistar e garantir uma fatia importante do mercado, mediante o desenvolvimento de ações direcionadas para melhorar a qualidade do peixe e seus subprodutos. Esta estratégia de crescimento da produção deve ser orientada tendo como base:
A criação de peixes na região, para ser competitiva com a avicultura, a suinocultura e a bovinocultura, cujas carnes fazem parte da cesta básica do consumidor, precisa ser orientada por uma base tecnológica que dê suporte a toda a cadeia produtiva, que vai da pesquisa à mesa do consumidor.
A organização dos piscicultores e dos pescadores da Macrorregião Norte/RS, por intermédio de cooperativas e associações, integrando-os ao Pólo de Aqüicultura e Pesca, se constitui numa importante estratégia de desenvolvimento aqüícola regional. É do processo de cooperação estabelecido entre as diferentes entidades do Pólo que vamos obter os maiores ganhos econômicos, na medida em que, de forma organizada, vamos formulando políticas para superar os principais entraves em relação às questões estruturais e conjunturais do setor e da legislação ambiental. Nesse sentido, a estratégia econômica e legal deverá orientar suas ações em relação a:
Agregar valor ao pescado exige reunir recursos para investir em infraestrutura básica para a conservação, processamento artesanal e plantas industriais do peixe, que permitam obter melhor preço de mercado desde a pesca extrativista, para venda do peixe “in natura” até o completo aproveitamento dos subprodutos da industrialização, na produção de novos produtos para a gastronomia, como, também, para o artesanato, confecções, etc. Esta estratégia deverá se preocupar basicamente com:
Conhecer a demanda do mercado de peixes e seus derivados, centrando o foco nos clientes, deve constituir-se em ação prioritária do Plano de Desenvolvimento. Do ponto de vista do mercado, o peixe é classificado como um produto inelástico em relação à demanda dos consumidores. Ou seja, na medida em que o pescador chega do rio com os peixes e/ou o piscicultor faz a despesca, o peixe é vendido a qualquer preço em função de ser um produto altamente perecível. A estratégia de distribuição e comercialização passa pelos seguintes mercados: Venda nas propriedades; Intermediários ou Atacadistas; Supermercados; Restaurantes; Pesque-Pague; Feiras Livres; Exportação. A existência destes canais de distribuição e comercialização, por si só não bastam. A saída, para garantir qualidade e preço, passa pela estrutura mínima de conservação e processamento.
Para tanto, faz-se necessário:
O desafio é fazer com que o peixe passe a fazer parte da cesta básica do consumidor. A partir deste momento ele passa a competir com as outras carnes na dieta alimentar das pessoas. Este é um caminho que precisa ser percorrido, que passa pelo desenvolvimento da culinária do pescado, divulgando a gastronomia do peixe e explorando seu valor nutritivo para a saúde humana.
Para se chegar ao consumidor final, é necessário um trabalho de marketing que envolve:
Em que pese o potencial da demanda por peixes no mercado nacional e internacional, baixo consumo de peixes em nossa região e no Estado, é um desafio que necessita de muito trabalho e acima de tudo criatividade, principalmente quando se trata de uma questão cultural. É, contudo, um gargalo que pode ser facilmente superado, se fizermos um comparativo com o histórico da avicultura em nossa sociedade.